2010: Dilma Rousseff na Presidência do Brasil

Inteligência, competência, compromisso social e garantia de continuidade do sucesso do Governo Lula.

Um modelo de qualidade deve ter continuidade, não pode ser interrompido ou modificado.

Leia o livro "A dominação masculina"  de Pierre Bourdieu

Hoje, temos pouquíssimos líderes capazes de movimentar a multidão e as massas. Isto ocorre porque são poucas as pessoas que possuem substância, que possuem uma trajetória de vida de sucesso, que possuem um comprometimento histórico com a coletividade e com a sociedade. O poder não está no discurso, está na convicção, na história de quem fala e nas obras que praticou ao longo de sua vida. Dilma Rousseff tem estes pré-requisitos. Precisa apenas começar a usá-los.

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É preciso ter em mente que ser político é ser um pregador. Por isso, também na política se aplica os ensinamentos do Padre Vieira:

"(...) A definição do pregador é a vida e o exemplo. Por isso Cristo no Evangelho não o comparou ao semeador, senão ao que semeia. Reparai. Não diz Cristo: saiu a semear o semeador, senão, saiu a semear o que semeia: Ecce exiit qai seminat semiitare.

Entre o semeador e o que semeia há muita diferença: uma coisa é o soldado, e outra coisa o que peleja; uma coisa é o governador, e outra o que governa. Da mesma maneira, uma coisa é o semeador, e outra o que semeia: uma coisa é o pregador, e outra o que prega. O semeador e o pregador é nome, o que semeia e o que prega é ação, e as ações são as que dão o ser ao pregador.

Ter nome de pregador, ou ser pregador de nome, não importa nada; as ações, a vida, o exemplo, as obras, são as que convertem o mundo. O melhor conceito que o pregador leva ao púlpito, qual cuidais que é? E o conceito que de sua vida têm os ouvintes.

Antigamente convertia-se o mundo; hoje por que se não converte ninguém? Porque hoje pregam-se palavras e pensamentos; antigamente pregavam-se palavras e obras.

Palavras sem obras são tiro sem bala: atroam mas não ferem. A funda de Davi derrubou o gigante, mas não o derrubou com o estalo senão com a pedra: infixus est lapis in fronte ejus. As vozes da harpa de Davi lançavam fora os demônios do corpo de Soul, mas não eram vozes pronunciadas com a boca, eram vozes formadas com a mão: David tollebat citharam, et percutiebat manu sua.

Por isso Cristo comparou o pregador ao semeador. O pregar, que é falar, faz-se com a boca: o pregar, que é semear, faz-se com a mão. Para falar ao vento, bastam palavras: para falar ao coração, são necessárias obras. (...)" (Texto completo)

Precisamos de mais fotos, vídeos e aúdio da Ministra Dilma Rousseff junto com o Presidente Lula. Disponibilizem tudo na internet. Vamos precisar para unir/fundir as imagens e promover a transferência de votos. A transferência de votos não ocorre espontaneamente, ela precisa ser catalisada.

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A Ministra Dilma Rousseff deveria começar a visitar as obras do PAC para ver o andamento dos investimentos federais. Se o Governo não ficar com o olho em cima, as obras não saem do papel.

Além disso, a Ministra deveria visitar os governos e movimentos sociais nas regiões onde as obras estão localizadas. Nestas visitas a Ministra poderia fechar um acordo com estes movimentos e governos para monitoramento e fiscalização das obras. Assim, qualquer besteira que a sociedade civil local detectar, no andamento das obras ou paralisação das mesmas, deverá informar o governo para que medidas sejam tomadas. Se isto não for feito, o PAC continua emPACado.

É hora da Ministra se aproximar da Multidão e dos Movimentos Sociais. Sua história pessoal deve ser contada e disseminada.

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Texto escrito em 29/10/2006.

Logo após os primeiros números confirmarem a vitória do Presidente Lula.

Em 2010 é a vez das mulheres governarem o Brasil, ou seja, está na hora de quebrar a linhagem de machos que governam o Brasil a 500 anos. Certamente, mais uma vez os tucanos de nariz grande e careca lumiosa vão ficar de fora.

No páreo feminino existem nomes interessantes, porém problemáticos. Por exemplo, a Heloisa Helena. Mas ela tem sérios problemas de esquizofrenia,  acompanhada de histeria aguda. Talvez Marta Suplicy, mas ela tem a Prefeitura de São Paulo sobre os ombros.

Resta um nome. Um nome forte do PT. Um nome que tem grande potencial de dar samba. E samba dos bons. O nome é Dilma Vana Rousseff Linhares: Ministra Chefe da Casa Civil.

Dilma Rousseff foi guerrilheira-revolucionária da esquerda armada durante a ditadura militar. Esteve presa de 1970 a 1973, quando foi torturada. Escreveu "Mulheres que foram à luta armada" em 1998.

Resumindo, o Presidente Lula, assim como o PT, devem trabalhar em torno do nome de Dilma Rousseff para a sucessão presidencial de 2010.

Assim, a linhagem de machos na Presidência do Brasil será quebrada. E o governo continuará com a esquerda. Enfim, crescimento econômico com educação e justiça social, este é o caminho para o Brasil chegar ao primeiro mundo.

Dilma-2010

Este texto tem por finalidade disseminar e fomentar o rompimento de paradigmas institucionalizados na política brasileira, permitindo o acesso de grupos excluídos ao poder. Portanto, a meta é viabilizar e fortalecer a candidatura de uma mulher para a corrida presidencial de 2010.

E o nome feminino mais indicado para assumir a Presidência é o da atual ministra da Casa Civil Dilma Roussef. Um nome forte que pode unir as esquerdas (radical e moderada) e dar continuidade às políticas e mudanças sociais que estão sendo alavancadas pelo Presidente Lula.

Assim, o governo Lula serão reconhecido, definitivamente, como o governo que promoveu a revolução democrática no Brasil, começando pela chegada de um operário ao poder, passando pela queda das desigualdades sociais e regionais, principalmente a queda da miséria e da pobreza, assim como pela revolução dos combustíveis limpos e culminando com a entrega do poder para uma mulher. A primeira mulher a governar o Brasil.

Com isso, o Presidente Lula fechará o seu mandato com chave de ouro e entrará para a História Brasileira como o Presidente Revolucionário que democratizou o poder e deu voz ao excluídos.

Enfim, é primordial que o povo brasileiro conheça e reconheça a história de luta, em prol da coletividade e da democracia, realizada pela ministra Dilma Roussef, pois assim, em 2010, o povo que elegeu Lula vai eleger Dilma.

Dilma Roussef rumo à Presidência do Brasil

Eu escrevi um texto dizendo que Dilma Roussef, chegando à presidência do Brasil, rompia paradigmas institucionalizados, assim como impedia a reinstalação da política do "café com leite", que eu chamei de política da "laranja com leite". Pois é, o texto sumiu, tanto do meu site, quanto do meu blog. Por isso, estou reescrevendo o texto e aprofundando  mais a idéia e os fatos, tanto da candidatura Dilma 2010, quanto da reedição da política do "café com leite" no Brasil.

Certamente, o cenário internacional está cada vez mais propício à chegada das mulheres ao poder, principalmente agora com o controle da câmara dos deputados norte-americanos nas mãos de uma mulher e da possibilidade de chegada à Presidência dos EUA de Hillary Clinton.

Portanto, o PT tem que trabalhar forte na construção e no fortalecimento da candidatura Dilma Roussef para 2010. E esse trabalho não pode ser deixado para 2008 ou 2009. Se deixarem para cuidar disso na última hora, corremos o risco da incompetência tucana reassumir o controle do Brasil, pois sem o presidente Lula na corrida, o Serra leva vantagem.

Contudo, as candidaturas tucanas podem ser minadas disseminando a idéia de reedição da política do "café com leite" no Brasil, ou seja, da concentração do poder federal, assim como do revezamento do poder, nas mãos de paulistas e mineiros. Logo, é necessário que outros representantes da federação tenham acesso ao governo do país.

Eu dizia no texto que Dilma Roussef preenchia esse requisito, pois mesmo sendo mineira de nascimento, o seu domicílio eleitoral é o Rio Grande do Sul e, assim como Getúlio Vargas rompeu a política tradicional do "café com leite", Dilma poderia romper a reedição daquela política.

Assinalo ainda que Dilma tem currículo e potencial para unir as esquerdas no Brasil. Tanto a esquerda moderada quanto a radical.

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Dilma afirma que mobilização pela democracia durante ditadura deve ser lembrada

Flávia Albuquerque -- Repórter da Agência Brasil

São Paulo - A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, afirmou hoje (7) que o processo de construção da democracia deve fazer parte da memória dos brasileiros. Segundo ela, a ditadura militar deve ser constantemente recordada porque provocou a mobilização da sociedade em torno de uma causa comum.

Dilma deu a declaração durante a inauguração de um memorial no Centro Acadêmico Manoel de Abreu, na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, em homenagem aos estudantes Chael Charles Schereier e Hiroaki Torigoe, mortos durante a ditadura.

A inauguração do memorial faz parte do projeto Direito à Memória e à Verdade, da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República. A homenagem foi organizada em conjunto com o centro acadêmico da faculdade para resgatar a trajetória dos dois estudantes não apenas para os atuais alunos da faculdade, mas para a sociedade.

Segundo Dilma, diante da ditadura, a sociedade gerou pessoas com coragem para lutar contra ela e que devem ser lembradas. “Sem dúvida o Chael foi uma dessas pessoas. Tive o prazer de conviver com ele e, mesmo na clandestinidade, Chael era extremamente afetivo e fazia com que a gente risse mesmo diante dos piores momentos”, recordou.

Para a ministra, que disse não ter conhecido Hiroaki, todos que participavam da luta armada naquele período acreditavam que mudavam o Brasil e a vida da população. “O que acho mais importante é que houve naquele momento com aquela geração uma grande capacidade de doar. Mesmo vivendo de uma forma limitada, a gente era capaz de abrir mão de partes da própria vida”, ressaltou.

Também presente à cerimônia, o ministro da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, disse que as pessoas mortas pelo regime militar ajudaram a construir o Brasil democrático de hoje. “É muito provável que, sem essa luta e sem esse sangue derramado, não tivéssemos caminhado tanto no terreno da democracia política como caminhamos”, ressaltou.

Segundo ele, é muito importante para os estudantes saber que, em determinado período, aqueles que ocupavam os postos do Centro Acadêmico foram forçados a viver na clandestinidade. Vanucchi disse ainda que o país precisa recuperar essa memória continuamente e que o governo continuará resgatando dados e provas para reconhecer e homenagear aqueles que fizeram parte desse período da História do Brasil.

Dilma chora durante homenagem a amigo morto pela ditadura

07/12/2007  -- Ricardo Galhardo - O Globo

SÃO PAULO - Vista dentro e fora do governo como administradora austera e política durona, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, deu vazão ao seu lado emocional, nesta sexta-feira, durante um evento singelo promovido por alunos da Faculdade de Medicina da Santa Casa, em São Paulo. Dilma foi às lágrimas e mal conseguiu terminar seu discurso durante uma homenagem ao amigo Chael Charles Schereier, morto em 1969 nos porões da ditadura militar, realizada pelo Centro Acadêmico Manoel de Abreu (Cama).

Chael e Hiroaki Torige, ambos ex-alunos da Santa Casa mortos pelas forças da repressão do regime militar, foram homenageados com um memorial no Cama. Dilma, que militou com Chael na organização clandestina Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAL-Palmares) nos anos de chumbo, foi convidada para encerrar o evento - que também teve a participação do secretário nacional de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, e do ex-ministro da Justiça José Gregori - com um relato de sua convivência pessoal com o companheiro morto.

Cercada de ex-colegas de militância política e até ex-companheiras de cela, Dilma sucumbiu ao clima de comoção. Com a voz embargada, olhos marejados, se dirigindo diretamente à mãe de Chael, Emília Schereier, que estava sentada na primeira fila, a ministra abreviou sua fala aos prantos.

- Mesmo na clandestinidade a gente vive. E viver significa ter alegrias, amizades, gostar das pessoas. Conheci profundamente o Chael e quero dizer à senhora, que é mãe, que na minha vida ele sempre vai continuar presente e que, como ministra chefe da Casa Civil, ele compõe uma parte disso - disse Dilma, deixando rapidamente o microfone com as lágrimas escorrendo pelo rosto.

A reação da ministra fez com que vários outros ex-presos políticos, professores da Santa Casa e alunos fossem às lágrimas.

Filho de uma típica família judaica, Chael liderava o movimento estudantil na então recém-fundada faculdade da Santa Casa. Ele foi dirigente da União Estadual dos Estudantes e a partir da decretação do AI-5, em 1968, partiu para a luta armada na VAL-Palmares, onde também militava a então estudante Dilma.

Algumas ex-colegas de prisão de Dilma durante a ditadura foram ao evento para reencontrar a hoje ministra.

- Ela era uma menininha, não tinha nem 20 anos, mas discutia macroeconomia de igual para igual com economistas consagrados que também estavam na prisão - lembrou a jornalista Rose Nogueira.

Preso no dia 21 de novembro de 1969 e levado ao Batalhão da Polícia do Exército no Rio de Janeiro, Chael morreu no dia seguinte, aos 23 anos, durante uma sessão de torturas. Ele foi enterrado com nome falso no cemitério de Perus, em São Paulo e seu corpo nunca foi identificado.

- A reação da ministra foi surpreendente e emocionou a todos. Enquanto organizávamos este evento descobrimos que aquele hospital centenário, aqueles tijolos, guardam muitas histórias e os alunos não têm noção disso - afirmou a presidente do Cama, Maíra Benito Scapolan.

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Dilma Rousseff

Matéria publicada na Revista Isto É de 14/12/2005

 

O companheiro Nego: os sorrisos abertos e doces da ministra com fama de dura na queda são menos raros do que se imagina. Muitos deles surgem nas brincadeiras com o dócil labrador Nego, presente de José Dirceu.
Na foto à direita, o ex-ministro brinca com o cachorro

Os grandes olhos castanhos da menina de dez anos, sentada na calçada, ficaram ainda maiores quando ela viu a bailarina, com uma brilhosa roupa verde, executando malabarismos no dorso do elefante. Era o circo rasgando a quietude da pacata Uberaba (MG) no final dos anos 50. Era o maior espetáculo da terra caindo no colo da garotinha extasiada: “Ela era linda, fazendo piruetas lá em cima. Eu adorava circo e queria ser bailarina”, lembra hoje, com os olhos iluminados pela recordação, a frustrada bailarina Dilma Vana Rousseff. Aos 57 anos, passando um rápido olhar sobre o circo da vida brasileira, que acompanhou, aos saltos e sobressaltos, nas últimas quatro décadas, atravessando crises, golpes, renúncias, cassações, prisões, torturas, ditadura, cassações, democracia e cassações, Dilma chega em 2005 ao topo de sua longa e atribulada carreira como economista, executiva, militante política e ministra. Desde junho ela faz suas piruetas no dorso do elefante petista, no Palácio do Planalto, onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a escalou como ministra-chefe da Casa Civil, substituindo José Dirceu, a maior atração do PT velho de guerra, engolido pelo leão do mensalão.

A postos no gabinete: a seriedade e
a competência conduziram-na ao segundo posto do governo, atrás apenas da Presidência da República

“Não sou a primeira-ministra, até porque o Brasil é muito presidencialista”, diz ela, escolhida também a economista do ano pelo Conselho Regional de Economia do Rio Grande do Sul, na quinta-feira 8, negando a condição de capitão do time que o técnico Lula um dia pespegou em Dirceu. “Sou apenas a ministra que faz a articulação transversal com os outros ministros. Minha obrigação é tratar os problemas dos outros como se fossem meus”, diz, sentada no sofá de visitas da casa oficial, no Lago Sul de Brasília, que ela herdou do sucessor junto com o dócil Nego, o cão labrador de pêlo negro que nunca a deixa só. Mineira de Belo Horizonte, criada em Uberaba, separada de dois casamentos, Dilma precisa viajar para reencontrar a família: a mãe, viúva, mora na capital mineira, assim como o irmão, advogado, mas para ver a única filha, Paula, juíza do Trabalho, toma o rumo de Porto Alegre, onde ainda mora o segundo ex-marido, o ex-deputado e ex-guerrilheiro Carlos Franklin Paixão de Araújo.

O primeiro, o jornalista mineiro Cláudio Galeno de Magalhães Linhares, tinha desviado a jovem Dilma, aos 20 anos, para o circo implacável da luta política, recrutando sua noiva no curso de economia, em 1967, para a militância da Política Operária (Polop), organização doutrinária da esquerda. Antes, aos 15 anos, quando trocou o conservador colégio Sion, onde as moças só falavam francês com as professoras, pelo inquieto Colégio Estadual, escola pública mista onde se geravam contestações, Dilma já desabrochara: “Aí fiquei bem subversiva. Percebi que o mundo não era para debutante”.

Correndo da polícia, fazendo passeata para apoiar os operários em greve em Contagem, Dilma viu os primeiros companheiros sendo presos pelo regime que apertava o nó. “O AI-5 foi meu presente de 21 anos. Saiu na véspera de meu aniversário, 14 de dezembro de 1968”, conta. Ela e o marido, visados pela polícia, conseguem escapar do cerco, fogem para o Rio de Janeiro e, como tantos outros jovens, caem na clandestinidade.

Política com técnica: em 1990, como secretária do governo gaúcho do petista Olívio Dutra (no alto, à esq.),
e na posse como ministra das Minas
e Energia, ao lado de Lula

A Polop se transformou em Comando de Libertação Nacional (Colina), que reunia pequenos grupos da esquerda radical, e a estudante Dilma virou professora, ensinando marxismo a militantes do setor operário. Ajudou na infra-estrutura de três assaltos a bancos, assinou artigos no jornal Piquete e chegou à direção do Colina. Nessa condição, planejou o que seria o mais rentável golpe da luta armada em todo o mundo: o roubo do cofre de Adhemar de Barros, ex-governador de São Paulo.

A proeza coube à Vanguarda Armada Revolucionária-Palmares (VAR-Palmares), resultado da fusão da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) do capitão Carlos Lamarca com o Colina de Dilma Rousseff. Onze dias depois da fusão, em julho de 1969, 13 guerrilheiros da VAR-Palmares roubaram o cofre de 200 kg de uma casa no bairro carioca de Santa Tereza, onde vivia a amante de Adhemar. “A gente achava que ia ser grande, mas não tinha noção do tamanho”, lembra Dilma.

Aberto o cofre, sacaram de lá US$ 2,6 milhões – hoje uma mega-sena em torno de R$ 25 milhões. A diária mirrada dos guerrilheiros dava para comer um único risoto por dia, num pé-sujo do centro do Rio. “Eu era magra como um palito, tinha pouca fome, e muitos gostavam de almoçar comigo porque comiam minha metade”, recorda ela, notando que o bote milionário não melhorou o cardápio extra-light da guerrilha: “Estava muito difícil trocar o dinheiro, porque havia um cerco total. Dois meses depois, com o seqüestro do embaixador americano, Charles Elbrick, a situação ficou ainda pior no Rio.”

Dura na queda, Dilma bateu boca com Lamarca, que sustentava a tese guevarista de levar a luta para o campo. Ela achava que a guerrilha precisava, antes, se organizar melhor nas cidades. Seus companheiros dizem que ela ajudou a preservar a VAR-Palmares mesmo com o racha de Lamarca, que saiu para recriar a VPR. O líder da VAR-Palmares era Carlos Araújo, que seria seu segundo marido (Galeno, o primeiro, participou do seqüestro de um avião e se exilou em Cuba). No início de janeiro de 1970, Dilma seguiu a sina de outros companheiros: “Entrei num ponto, às 4 h da tarde, em São Paulo, e o companheiro estava cercado. Tentei fugir, entrando numa loja de móveis, mas fui pega na rua de trás”. Dilma Rousseff, aos 22 anos, foi levada pelo antecessor do DOI-Codi, a Oban (Operação Bandeirante), para a rua Tutóia, o mesmo destino de Wladimir Herzog cinco anos depois. Vlado agüentou um dia de tortura, e morreu.

Dilma suportou 22 – e sobreviveu. “Levei muita palmatória, me botaram no pau-de-arara, me deram choque, muito choque. Comecei a ter hemorragia, mas eu agüentei. Não disse nem onde morava. Um dia, tive uma hemorragia muito grande, hemorragia mesmo, como menstruação. Tiveram que me levar para o Hospital Central do Exército. Encontrei uma menina da ALN: ‘Pula um pouco no quarto para a hemorragia não parar e você não ter que voltar’, me aconselhou ela, segundo o dramático relato que Dilma fez, dois anos atrás, ao repórter Luiz Maklouf Carvalho.

“Tortura é uma das coisas mais vis que existem”, reflete Dilma hoje, com o distanciamento possível. “O sentido mais profundo da democracia significa necessariamente acabar com a tortura”, diz a ex-torturada, hoje aflita com a sorte dos presos comuns nas delegacias de polícia. A tortura ainda aflige Dilma, aqui e lá fora: “Aquelas cenas de homens presos em Guantánamo (Cuba) e em Abu Ghraib (Iraque) não têm justificativa. Aquilo é a barbárie”, condena. Passado o martírio da Oban, Dilma passou outros dois meses no DOPS antes de ser transferida para o presídio Tiradentes – onde ficou até 1973, com a cabeça em ebulição. “Na prisão, a gente podia refletir e ler muito. Li Levi-Strauss, Poulantzas, quase todo Dostoievski. A vida na prisão pode ser muito rica. Na guerrilha, a gente já percebia um certo impasse, uma espécie de beco sem saída. A luta armada não faria avançar um país tão complicado, tão diverso e plural como o Brasil”, repensa Dilma.

O jogo político tradicional parecia o caminho, quando ela voltou a Porto Alegre, ainda sozinha: o marido, Carlos Araújo, também preso pela Oban, cumpria pena na Ilha das Flores, prisão da Marinha no rio Guaíba, na capital gaúcha.

Dilma integrou-se à juventude do MDB e militou na luta pela anistia. Punida pelo Decreto 477, que bania subversivos da universidade, foi obrigada a prestar novo vestibular. Formou-se em economia pela Universidade Federal do RS e foi, mais uma vez, atropelada pelo arbítrio: em 1977, o ministro linha-dura do Exército, Sylvio Frota, reagiu à demissão do cargo pelo general Ernesto Geisel divulgando uma lista de 99 comunistas infiltrados no governo – um dos três economistas delatados na Fundação de Economia e Estatística (FEE) era Dilma, que acabou demitida. “Completei minha cota – fui presa, cassada, condenada, punida pelo 477 e incluída na lista do Frota”, brinca Dilma, hoje, rindo da própria sorte. Condenada pela Justiça Militar a seis anos de prisão, cumpriu três e, com recurso, acabou punida com dois anos e um mês de cadeia. “Ou seja, sobraram 11 meses, que eles não devolveram. Sou credora do País”, contabiliza Dilma.

O PDT levou Dilma para a Secretaria da Fazenda de Porto Alegre, quando Alceu Collares se elegeu em 1985. Numa pirueta digna de bailarina, voltou como presidente à mesma FEE de onde saíra pela delação de Frota, indicada pelo governador Collares, eleito em 1990. Acabou secretária de Minas e Energia do Estado com Collares e repetiu a dose, no governo seguinte, de Olívio Dutra, graças à aliança PDT-PT. Dois dias depois, deu um apagão no Estado – e durante 31 dias a luz ia e vinha, com black-outs de até sete horas.

Dilma executou uma operação de emergência, concluiu uma linha de distribuição para canalizar a energia que vinha da Argentina – e a luz se fez. “Quando bateu o apagão no governo FHC, o Rio Grande do Sul não teve nenhum problema, a região Sul já era superavitária.” E botou o dedo na tomada para punir denúncias de corrupção na Companhia Estadual de Energia Elétrica, abrindo sindicâncias que levaram a uma CPI na Assembléia gaúcha. Em 2001, trocou o PDT pelo PT, acompanhando uma dissidência liderada pelo ex-prefeito Sereno Chaise. O ex-amigo Collares não perdoou nunca: “Ela é uma traidora. Se tivesse consistência ideológica, não seria ministra do governo Lula.”

Pois foi a consistência de seu trabalho no Grupo de Infra-Estrutura da transição de Lula que alçou Dilma ao posto de ministra de Minas e Energia, em 2003. Ela chegou lá com uma vela acesa para evitar que o apagão tucano voltasse a acontecer no governo petista. “O setor elétrico estava com a receita reduzida em 20%, endividado em dólar e com os sinais trocados – o mercado planejando e o governo fazendo o preço”, lembra.

A hora de “investir pesado”:
com Alencar, Lula e Palocci, no
auge da crise gerada por ela ter
dito, dias antes, numa entrevista,
que a política econômica deveria
mudar. Palocci tremeu.

Dilma comemora o fato de agora o País ter quase toda a energia de que precisa contratada até 2010, o que dá espaço para prever novas fontes. “Aumentamos a oferta de energia em 14,8% entre 2002 e 2005 e temos em construção 14 usinas hidrelétricas e duas térmicas”, festeja. A crise ética que afundou o PT e suas maiores estrelas, incluído José Dirceu, levou Lula ao inevitável: chamar Dilma para o cargo mais poderoso do Planalto, depois do próprio presidente. Ela assumiu tentando desfazer a idéia de que era uma técnica fria substituindo um cérebro político. “Metas de governo são uma escolha política.

Estou na fronteira, na interseção do técnico com o político”, avisa, com a autoridade de quem sabe o que quer e do que o governo precisa. “A Dilma tem uma grande vantagem: ela não chama o poder para si, como fazia o Zé Dirceu”, observa um amigo de ambos, o deputado federal Luciano Zica (PT-SP). “Dilma não arrota o poder que tem, ao contrário do Zé, que exibia mais poder do que tinha”, diz, lembrando que, num eventual segundo governo Lula, Dilma está condenada a ser ainda mais forte. “Quem sabe até uma ministra da Fazenda”, provoca Zica.

A própria Dilma, sem travas na língua, mostrou luz própria numa franca entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo, no mês passado, para dizer o que o País, os empresários, a imprensa e a ala esquerda do PT pensam: a política econômica tem que mudar. Pela primeira vez, o inabalável Antônio Palocci tremeu na base, mas os fatos teimam em dar razão a Dilma. O PIB caiu, no terceiro trimestre, e o próprio Lula está incomodado.

Jeitosa, Dilma não deixa de elogiar seu companheiro da Fazenda: “Palocci tem o mérito de ter estabilizado o País. Mas hoje temos plenas condições de discutir como nos desenvolver – e isso não pode ser feito sem investimento pesado. É uma questão de dosagem. É importante manter a inflação sob controle, mas é possível também ter um processo de desenvolvimento sustentado. Não são opostos. Dá para conciliar”, diz, sem fazer concessões.

Dilma Rousseff fala das letras trágicas do tango que ela começou a entender na cadeia, dos versos tristes dos blues de Billie Holiday, dos lamentos nostálgicos de London, London chorados pelo Caetano Veloso do exílio londrino. Fala da repressão, da crise, da tortura, da ditadura. E, apesar de tudo, sorri. Um sorriso aberto, doce, firme, de quem só pode ver o melhor depois de viver o pior. Dilma Rousseff mais do que sobreviveu. Venceu. “Só pra saber que nunca fui uma menina cândida: eu sei montar e desmontar, de olhos fechados, um fuzil automático leve. Tinha que ser rápido, muito rápido. E, se você quer saber, eu sei atirar”, lembra, abrindo um enorme sorriso. O Brasil está precisando, cada vez mais, do tiro rápido e certeiro da Brasileira de 2005.

Sonho e realidade: imagens do álbum de infância, à direita com a mãe, Dilma, o irmão, Igor, e o pai, Pedro, e abaixo, nos tempos de militância, em foto do Arquivo do Estado de São Paulo

Artigo sobre Ségolène e Hillary

Publicada em 28/04/2007 às 20h00m - O Globo Online

Por Mônica Leite Lessa

Ségolène Royal, candidata do Partido Socialista francês à presidência da república, pode tornar-se a primeira mulher presidente da França - país onde o direito ao voto/eleição de candidatas do sexo feminino entrou em vigor apenas após a Segunda Guerra Mundial, em abril de 1945. Para além da expectativa de uma candidatura feminina com chances reais de vitória, soma-se o fato de que essa é também a possibilidade para o Partido Socialista de voltar à cena política após a humilhante derrota de 2002.

Do outro lado do Atlântico, Hillary Clinton vive atualmente o que Ségolène Royal vivenciou meses atrás: a luta dentro de seu próprio partido (Partido Democrata) para ser indicada como candidata à presidência da República em 2008. Observe-se que nos Estados Unidos o voto/eleição das mulheres entrou em vigor após a Primeira Guerra Mundial, em junho de 1919. Entretanto, com um quadro político bem mais conservador do que o francês, a "maior democracia do mundo" se destaca pelo bipartidarismo do resultado de suas eleições nas quais sempre se alternam o Partido Republicano e o Partido Democrata. Sem que isso incomode os analistas especializados ou suscite alguma crise no cenário politico norte-americano, a dobradinha entre o Elefante e o Burro tem agora um elemento novo: a primeira candidatura de uma mulher à Casa Branca.

O tabu de uma candidatura feminina ao posto máximo da nação será finalmente quebrado na França e/ou nos Estados Unidos ? Ambos os países estão bastante atrasados em relação à questão de gênero na política. Contudo, deve ser destacado, o governo socialista de François Mitterrand inovou ao nomear pela primeira vez na história da nação uma mulher como primeira-ministra, mas o governo de Edith Cresson foi também o mais curto da V República: durou apenas 11 meses. Outros países, tanto no Ocidente quanto no Oriente, há muito romperam com a primazia masculina na política.

Por exemplo: Indira Ganhdi (Partido do Congresso) exerceu o cargo de primeira-ministra da Índia de 1966 a 1977 e de 1980 a 1984; Golda Meir foi eleita em Israel entre 1969 e 1974; de 1979 a 1990 Margareth Tatcher (Partido Conservador) esteve à frente da Inglaterra; Benazir Bhutto (Partido Socialista) foi eleita primeira-ministra do Pakistão em 1988; em 2000, Tarja Halonen (Partido Social Democrático) foi eleita presidente da Finlandia; Angela Merkel (Partido Democrata Cristão) foi eleita chanceler da Alemanha em 2005; Michelle Bachelet (Partido Socialista) foi eleita presidente do Chile em 2006. Se as mulheres já demonstraram que liderança política não é monopólio do sexo masculino, mas questão de competência e oportunidade política, porque a pátria dos Direitos do Homem e a "maior democracia do mundo" ainda não elegeram mulheres para a presidência da República é um mistério.

Talvez esse quadro mude em breve. Quem apostou na derrota do Partido Socialista francês desde o primeiro turno não levou em consideração o trauma de 2002, quando o Front National, partido de extrema-direita, chegou ao segundo turno derrotando o Partido Socialista, nem o descontentamento dos franceses com dois mandatos presidenciais da direita. A vontade da alternância ideológica, explicitada no primeiro turno das eleições 2007, é a única resposta para o Partido Socialista ir para o segundo turno ?

Para muitos analistas sim porque consideram que a candidata socialista é dúbia em suas opiniões, assina um programa de governo incoerente com a ideologia que representa e, sobretudo, pouco factível. Para outros, ao contrário, Ségolène Royal faz a diferença enquanto candidata porque é tão preparada quanto seus concorrentes, representa os ideais socialistas renovados pragmaticamente à luz da realidade contemporânea e mostrou coragem ao enfrentar dentro do PS correligionários como Laurent Fabius e Dominique Strauss-Khan, ambos candidatos à indicação partidária para as eleições presidenciais. E ganhou.

A despeito de ser a 6ª nação mais rica do planeta (PIB-nominal) e a 7ª economia mundial (PIB-PPC), a França possui uma taxa de desemprego superior a 8%, a menor taxa de crescimento da União Européia (2%) e uma dívida interna em torno de 66% do PIB. Ao contrário de Nicolas Sarkozy, seu oponente de campanha nesse segundo turno das eleições, Ségolène Royal insiste que para reduzir os números negativos de sua economia a França não necessita abdicar de sua essência: solidariedade nacional ao invés da competitividade social; manutenção das 35 horas semanais de trabalho, conquista do governo Mitterrand; implantação de um salário mínimo europeu; manutenção do direito ao reagrupamento familiar dos imigrantes; reforma do FMI, do Banco Mundial e do Banco Central Europeu; referendo sobre novo texto que substitua a derrotada proposta da Constituição Européia.

Ela também condenou repetidas vezes a postura "chauvinista" e "nacionalista" de Sarkozy, reafirmou que a União Européia é essencial para a França e defendeu o internacionalismo e a solidariedade como valores típicos da esquerda. Nesse sentido, ela atacou frontalmente a proposta de Sarkozy sobre a criação de um "Ministério da Imigração e da Identidade Nacional", bem como sobre a "imigração seletiva" e a "discriminação positiva" dos imigrantes.

Única candidata a lançar a proposta de uma iniciativa européia para a organização de uma conferência em prol da paz e da segurança no Oriente Médio, Ségolène Royal condenou a invasão do Iraque e afirmou seu distanciamento em relação à política norte-americana nessa região. A repercussão dessa posição foi grande e inegavelmente lhe creditou uma atitude de independência e autoridade que os franceses consideram indispensáveis a qualquer presidente da República. E, ao mesmo tempo, relembrou a criticada viagem do então ministro do Interior Nicolas Sarkozy ao presidente Bush, em setembro de 2006.

Por muitas razões Ségolène Royal está mais próxima de seu objetivo do que sua colega Hillary Cliton. Royal exerceu mais cargos na alta administração do Estado; recebeu o voto popular em mais mandatos; é diplomada por uma das mais prestigiosas instituições francesas, a École Nationale d'Administration, na qual é formada a elite política-administrativa do país; tem uma forte imagem de mulher independente porque permanece solteira, mas construiu uma família, composta de quatro filhos, com o mesmo companheiro com quem vive há mais de trinta anos; construiu sua carreira política sem a sombra de uma figura masculina; é conhecida pela defesa de suas posições dentro e fora do PS. Hillary Clinton, ao contrário, investiu mais na carreira política do marido; foi vitima de um escândalo pessoal impensável na França mas típico do puritanismo norte-americano; teve uma discreta atuação em seu primeiro mandato como senadora e, atualmente, é criticada por sua mudança de posição sobre a guerra no Iraque - ela votou pela invasão em 2003.

No próximo dia 6 de maio a França escolherá seu novo presidente. Apesar das sondagens serem favoráveis à Nicolas Sarkozy a candidata socialista continua crescendo nas pesquisas, multiplicando aparições e debates públicos e com isso demonstrando sua tenacidade e recursos políticos. Pode tornar-se a primeira mulher eleita presidente da França. Se isso acontecer ela promete que valores esquecidos serão ressucitados e um novo élan será dado à política francesa. E talvez sua eleição possa significar um grão de areia para a campanha da senadora Cliton. Tanto na França quanto nos Estados Unidos a representação feminina na política nacional tem aumentado decididamente indicando que o eleitorado é atualmente menos preconceituoso devido justamente à crescente presença das mulheres na sociedade civil. Esse último dado sem dúvida contribuiu para uma maior articulação e pressão das mulheres na arena política. Por fim, deve ser considerado que as forças políticas dos dois países devem inovar para, a longo prazo, não desaparecerem do horizonte político. E as mulheres podem representar o indispensável passaporte para o futuro.

 

Mônica Leite Lessa é professora de História da Uerj

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COM NANCY E SÉGOLÈNE, MULHERES TERÃO MAIS PODER EM 2007

Fabio Schivartche e Daniel Buarque, do G1, em São Paulo

Nancy e Ségolène. Angela e Michelle. Quatro mulheres, quatro países diferentes. Mas com alguma coisa em comum: a evidência de que elas conquistam cada vez mais o espaço deles na política mundial.

Nos últimos dias, as duas primeiras fizeram muito barulho. Nos Estados Unidos, numa decisão inédita, Nancy Pelosi foi  escolhida pelos democratas para ser a futura presidente da Câmara dos Representantes (o eqüivalente à Câmara dos Deputados no  Brasil) -será também, a partir de janeiro, ao assumir o cargo, a segunda na linha da sucessão presidencial, logo após o vice-presidente Dick Cheney.

Já nesta quinta-feira (16), na França, Ségolène Royal foi eleita para ser a representante do Partido Socialista nas eleições presidenciais do ano que vem. Ela é considerada a única personalidade política de esquerda capaz de derrotar Nicolas Sarkozy, atual ministro do Interior e grande favorito da direita, em um segundo turno da votação marcada para maio de 2007.

No Brasil, apesar de a Presidência da República ainda ser um reduto masculino -até hoje, nenhuma mulher nem sequer disputou o segundo turno da eleição presidencial-, a participação feminina aumentou entre os candidatos eleitos neste ano.

A chilena Michelle Bachelet tornou-se presidente do país em janeiro deste ano, ao vencer o segundo turno com 53,5% do total de votos. Converteu-se, assim, na primeira mulher presidente de seu país e a sexta na América Latina, depois da nicaragüense Violeta Chamorro, da argentina María Estela Martínez de Perón, da boliviana Lidia Gueiler Tejada, da equatoriana Rosalía Arteaga e da panamenha Mireya Moscoso.

Das quatro citadas no começo desta reportagem é Angela Merkel quem ocupa um cargo importante há mais tempo. Desde 2005 ela é a chanceler alemã.

Ela enfrentou o então chanceler Gerhard Schröder nas eleições legislativas alemãs de 18 de Setembro de 2005. Na ocasião, seu  partido obteve mais votos do que o de Schröder, mas não conseguiu uma maioria para formar um governo. Foi formada, então, uma  grande coligação entre a CDU e o SPD, tendo Merkel assumido o cargo de chanceler.

Jeitinho feminino

Na política, elas têm um jeito diferente de trabalhar, diz a cientista política Susan Carroll, professora no Instituto de Política Eagleton, na Universidade Rutgers, nos Estados Unidos. "As mulheres têm prioridades diferentes das dos homens. Elas se preocupam mais com outras mulheres, famílias, crianças, saúde e educação. Há evidências que apontam que as mulheres se preocupam com um grupo maior da sociedade, e atuam com mais transparência", disse, em entrevista exclusiva ao G1, por telefone.

Segundo ela, a ascenção da presença feminina "é um produto de mudanças na idéia do papel da mulher na sociedade no longo prazo. Mudanças aconteceram, e hoje as pessoas aceitam a presença de mulheres em cargos de liderança como algo normal. Essas mudanças na sociedade é que permitiram essa escalada feminina na política."

Esta atuação tem, por sua vez, diz, o papel de abrir ainda mais a mente da sociedade, levando a um fortalecimento ainda maior das mulheres.

Carroll é autora de uma série de livros sobre a presença feminina na política norte-americana, como "O Impacto das Mulheres em Cargos Públicos", "Mulheres como Candidatas  na Política Americana" e "A Política da Diferença" (todos editados apenas em inglês), entre outros. Para ela, as mulheres se sentem responsáveis por outras mulheres, quando na política.

"A maioria das mulheres políticas nos EUA se vê como responsável pelas outras mulheres do país. Isso não significa que elas vão defender valores feministas, por exemplo, mas elas se preocupam com a situação geral das mulheres", disse.

Crescimento tímido

A nomeação de Ségolène Royal como candidata de um grande partido à presidencia francesa faz parte de um movimento ainda tímido na Europa de participação das mulheres em cargos políticos de primeiro plano.

A primeira mulher candidata a uma presidencial na França foi Arlette Laguiller (Luta Operária), que se candidatou em várias  eleições, mas nunca foi eleita. Aquelas que seguiram seus passos, como Dominique Voynet, do Partido Verde, também foram  derrotadas.

Em outras partes da Europa, raros são os grandes partidos que conduziram campanhas eleitorais com uma mulher como candidata.  Margaret Thatcher, primeira-ministra britânica de 1979 a 1990, e Angela Merkel, eleita chanceler da Alemanha em novembro de  2005, são exceções.

A Europa conta atualmente com três mulheres chefes de Estado eleitas: a irlandesa Mary McAleese, reeleita em 2004 e que  sucedeu em 1997 Mary Robinson, eleita em 1990; a letoniana Vaira Vike-Freiberga, eleita em 1999 e reeleita em 2003; e a  finlandesa Tarja Halonen, eleita em 2000 e reeleita em 2006.

O fato é que as mulheres continuam minoritárias nos parlamentos da Europa Ocidental, compostos, em média, por 19% de  mulheres, segundo a União Interparlamentar (UIP).