Questões Globais do Novo Milênio

Autor: Leonildo Dias Garcez Correa Bento de Jesus e Silva

Iluminet Corporation e Iluminet Foundation

Busca no Site

Olhando para o milênio passado, o que vemos ? Inegavelmente, vemos muita destruição, guerras, peste, extermínio, genocídio, escravidão, etc. Vemos cruzadas, mercado de escravos, inquisições, guerras nacionalistas, guerras mundiais, peste negra, gripe espanhola, campos de concentração, nazismo, stalinismo, maoísmo, poupotismo (Camboja), bomba atômica, milhões e milhões, talvez bilhões, de pessoas mortas por ações humanas.

Inegavelmente, foi um milênio de muita destruição, principalmente, considerando que foi nesse milênio que a perversidade humana atingiu um nível inimaginável com a invenção das armas de destruição em massa.

Considerando que o último milênio foi de destruição, e que o homem é um ser inteligente, que estuda e analisa a própria história e acredita na construção de um Mundo Novo, um mundo mais justo, este milênio atual, deve seguir um caminho diferente. Olhamos para a história para não repeti-la. E olhando para a história, assim como para a Palavra de Deus, temos uma orientação, sabemos qual caminho seguir.

Tem que ser um caminho de justiça, tolerância e paz, sem opressão, sem desigualdades, sem exclusão, sem dominação. As fontes de conflitos, fanatismos e destruição devem ser eliminadas. Não falo em eliminar pessoas, mas sim em eliminar elementos, causas, situações e negócios que causem desentendimentos, desavenças e conflitos entre as sociedades e os homens.

A dominação, domínio de uns sobre outros, deve cair. Os homens são iguais e as sociedades devem ser tratadas em nível de igualdade. As diferenças, se são oriundas do livre-arbítrio, ou seja, se não são impostas, também devem ser respeitadas. A pessoa é diferente porque escolheu ser diferente. Se a diferença é uma imposição, não é diferença, é opressão. As opressões, injustiças, exclusões e desigualdades constituem elementos desagregadores e destruidores, por sua própria natureza, de sociedades e países.

Por isso é preciso encontrar mecanismos e caminhos que eliminem esses elementos desagregadores. É preciso construir uma consciência universal que iniba o surgimento desses elementos, que proteja o homem contra a dominação, as opressões, as injustiças, as exclusões, desigualdades e autoritarismos, venha de onde vier, seja da política, seja da religião, seja do mercado, das empresas, etc.

Seguindo esse caminho de justiça, respeito às diferenças, tolerância e, principalmente focalizando na construção de uma consciência universal, as chances de repetir a destruição do milênio passado, são reduzidas drasticamente. Contudo, é preciso ficar atentos às ações e intenções daqueles que ainda estão presos às categorias e elementos do velho milênio e tentam reconstruir, na atualidade, projetos que já foram testados e acabaram em destruição e opressão das sociedades que seguiram esses caminhos.

Preocupa-me o caso da Venezuela que busca seguir o mesmo caminho de Cuba. Se Cuba não chegou em lugar nenhum, onde a Venezuela, que está seguindo o mesmo caminho, chegará ? Inegavelmente, deve-se copiar de Cuba aquilo que deu certo e funcionou muito bem (projetos educacionais, saúde, etc), contudo, os elementos de opressão e violação das liberdades, assim como dos direitos humanos, devem ser rejeitados e abandonados.

Inegavelmente, vários mecanismos de contenção de violações graves de direitos humanos foram criados nas últimas décadas. Porém, esses mecanismos não tem se efetivado na proteção de grupos humanos e de sociedades. Vemos isso nos conflitos da Bósnia e da África. Logo, nesse Novo Milênio, esses instrumentos devem se torna efetivos e eficazes para inibir e eliminar as dominações, opressões, exclusões e extermínios.

Além disso, as armas de destruição em massa devem ser destruídas, banidas do planeta, pois a simples existência dessas armas de destruição, nas mãos de um país, faz pairar sobre as sociedades humanas a possibilidade dessas armas serem usadas para dominação e opressão dos demais, rompendo o equilíbrio, a harmonia e a estabilidade que deve existir em um mundo multilateral.

 

A questão dos Palestinos

 

A construção de um Estado Palestino dentro do Estado de Israel não é a melhor saída para acabar com o conflito que castiga a região. Isso porque a criação desse Estado estará dividindo e separando povos e não integrando-os. Com dois Estados, um dentro do outro, o maior vai continuar lutando para engolir o menor e o menor lutará para destruir o maior.

E, com dois Estados separados, o mundo continuará dividido, uns apóiam Israel contra os Palestinos, outros apóiam os Palestinos, contra Israel. Em outras palavras, a tensão e as guerras continuarão na região.

A melhor saída é integrar os Povos. Os Palestinos devem ser integrados ao Estado de Israel. Devem ter os mesmos direitos que possui o Povo Israelense, as mesmas prerrogativas, sem discriminação de nenhuma espécie.

O Povo Palestino, assim como outros povos, querem viver em paz, ter sua cultura, sua religião, suas idéias e ações respeitadas. O Povo quer ter liberdade, direito de escolha, segurança, saúde, educação, trabalho, garantias de propriedade e de livre-iniciativa etc. Proporcionando isso, pouco importa se estão em um Estado Palestino ou se estão em um Estado Israelense. Se o Povo vive em paz, justiça e liberdade, ou seja, se o Estado trabalha para garantir direitos e melhorar a vida dos cidadãos, é indiferente quem esteja governando ou quem seja o governante.

Certamente, levantar muros para separar os palestinos, segregar os palestinos, empurrá-los para a periferias, tirar suas terras e seus meios de vida, trancá-los nas periferias, não dar educação, saúde e nem emprego, etc, não é integração. Se essas forem as ações de Israel contra os Palestinos, é melhor que exista um Estado Palestino.

Integração é considerar todos iguais perante a lei, dando os mesmos direitos, os mesmos deveres e as mesmas liberdades, sem distinção de nenhuma espécie. Criou distinção, criou uma fonte de conflitos.

E aqui eu chamo a atenção dos governantes para prestarem muita atenção nas distinções e nas discriminações que promovem. As distinções e discriminações somente são toleradas quando corrigem desigualdades e injustiças. Chamo a atenção para a questão da imigração.

É fato notório que muitos países, devido às levas de imigrantes, possuem uma sociedade composta de vários povos. Isso está em toda a parte. O melhor caminho para governar essa sociedade heterogênea é construindo projetos de integração que minimizem as diferenças e trate todos igualmente.

Caso contrário, caso sigam o caminho das diferenças, de privilegiar uns em detrimentos dos outros, de fortalecer esse ou aquele grupo em detrimento dos demais, retornaremos ao período da história no qual cada povo queria ter sua terra, seu país e seu governo.

As sociedades heterogêneas devem trabalhar a integração, corrigindo as diferenças, as desigualdades, as exclusões. Devem combater as teorias racistas, os nacionalismos exacerbados e violentos, assim como as teorias que pregam divisão e separação. É preciso derrubar fronteiras, como na União Européia e não levantar mais barreiras, mais diferenças, gerando mais conflitos e guerras.

Sociedades heterogêneas somente sobrevivem se são tolerantes, se respeitam as diferenças, o livre-arbítrio, a consciência dos outros. Se há os mesmos direitos, as mesmas oportunidades, os mesmos deveres, sem discriminação, sem distinções. Não só respeita, mas permite que se manifestem livremente. Assim, há harmonia e paz entre os Povos.

No Brasil, o governo criou um sistema de cotas para reduzir as diferenças entre brancos e negros. Inegavelmente, é um projeto importante, contudo, ao invés de brancos e negros, o projeto poderia ser corrigidos para: reduzir as diferenças entre ricos e pobres, ou seja, a meta tem que ser a redução das desigualdades econômicas, a eliminação das desigualdades sociais, das exclusões. Usar características biológicas pode desembocar em caminhos racistas. Tem branco rico, tem negro rico, tem índio rico. Tem branco pobre, tem negro pobre, tem índio pobre. Quem precisa de ajuda e de força são os pobres, sejam brancos, negros ou índios.

Portanto, na questão dos Palestinos, o melhor caminho é trabalhar a integração. Porém, essa integração deve ser construída pelos dois lados. Uma integração de iguais, não uma integração de submissão, onde um domina e outro serve.

Inclusive, a União Européia, os EUA e outros países com grande incidência de imigrantes, que possuem sociedades heterogênea, composta por diversos povos, devem seguir caminhos de integração.

A União Européia é um grande exemplo de integração de povos diferentes. É um exemplo que deve ser seguido por outras regiões do globo.

A questão do Irã:

 

O Irã possui três elementos que o colocam sob suspeita diante da comunidade internacional: O primeiro elemento é um regime político dominado pela religião. O segundo é o discurso de destruição do Estado de Israel. E o terceiro é a suposta tentativa de construir armas nucleares, ou seja, armas de destruição em massa.

A reunião desses elementos, inegavelmente, podem servir para convencer a comunidade internacional e a opinião mundial de que o Irã deve ser destruído, logo, podem reunir forças para atacar o país da mesma forma como atacaram o Iraque e, no final de tudo, se descobre que os interesses da guerra eram outros e o discurso utilizado para justificá-la não passou de mentiras.

Justamente, para evitar esse tipo de ação, é que o Irã, se pretende continuar vivendo em paz, deve abandonar o caminho das armas nucleares. Nenhum país tem o direito de produzir armas de destruição em massa. Se o Irã não possui armas de destruição em massa e nem está tentando obtê-las, não há razão ou justificativas para uma guerra.

Segundo, o Estado de Israel existe como Estado e faz parte da comunidade internacional. Logo, em pleno século XXI, proferir um discurso de destruição contra um Estado, contra um Povo, seja qual for, não é uma coisa razoável e correta. Israel não tem o direito de destruir o Irã ou quaisquer outro país. Assim como o Irã também não tem o direito de querer a destruição de Israel ou de quaisquer outro país.

A estabilidade mundial e o caminho da paz exigem consciência dos governantes. O discurso de destruição de um país é altamente nocivo e corrosivo para o mundo atual, pois implica, necessariamente, em guerras, violência e extermínio. E esse caminho de destruição, guerras e violência de uma nação contra outra nação, tem que ser fechado definitivamente.

Mas e a questão do Holocausto ? É irrelevante. Se existiu ou se não existiu, não tem relevância. O importante na história do holocausto é que, se ele existiu, não pode, sob hipótese nenhuma, se repetir; se ele não existiu, não pode, sob hipótese nenhuma, existir. Afinal, nenhum Povo tem supremacia sobre outros Povos, pode escravizá-los, usá-los como matéria-prima de processos industriais e tentar varré-los da face da terra. É isso que a história do Holocausto mostra. Esse é o ponto fundamental. O resto é conversa.

Portanto, o Irã, se quer continuar vivendo em paz, deve seguir um caminho que não o transforme em inimigo da comunidade internacional. Essa construção do inimigo é feita pela imprensa global que, geralmente, convence a opinião mundial. O caminho que transforma o Irã em inimigo do mundo é o da construção de armas nucleares, armas de destruição em massa, e o discurso de destruição do Estado de Israel. Sem esses dois elementos, o discurso daqueles que pretendem atacar o Irã para se apropriar de seu petróleo, etc fica vazio e sem eficácia.

E o uso da energia nuclear para geração de energia ? Certamente, o Irã tem o direito de desenvolvê-la, desde que faça às claras, para não dar pano para a manga, ou seja, motivo para suspeitas e construção de mentiras.

Outro ponto é a questão da supremacia religiosa sobre a política no Irã. Essa questão é controversa, pois depende da iluminação da consciência desses religiosos. Existem religiosos que falam em nome de Deus. E existem religiosos que falam em nome deles mesmo. De uma forma ou de outra, o que realmente importa é a forma como a sociedade é conduzida e administrada. A opressão, as exclusões, a violência, as injustiças etc é sempre um mal, venha da política, venha da religião ou venha de ambas. Além disso, há países nos quais a base do poder político é a religião e vivem com ampla liberdade e em paz, etc.

Portanto, o ponto essencial, nessa questão, é a forma como a sociedade conduzida e administrada. Um governo de justiça, liberdade e paz tende a se perpetuar, não importa se a sua base é construída por elementos políticos ou religiosos. Um governo de opressão, exclusões, violência e injustiças não vai muito longe. Esse é o ponto fundamental.

 

Caminho do meio

 

Ações extremas e caminhos extremos não são bons. É preciso ter sabedoria e entendimento, uma consciência iluminada, para compor o caminho com as melhores ações e soluções. Isso é fato, porém poucos conseguem entender e aplicar isso.

Por exemplo, comunismo puro não funciona. Se funcionasse, a URSS não teria quebrado e Cuba seria um país de primeiro mundo. Porém, isso não aconteceu. Certamente, a URSS e Cuba ensinaram coisas importantes (conquistas na área da saúde, tecnologia, etc) para a humanidade, porém, o excesso de ideologia afundou o sistema.

A China percebeu isso a tempo e mesclou o sistema com soluções do comunismo e do capitalismo, aumentando o tempo de vida do sistema. Porém, persiste a questão dos direitos humanos e das limitações à liberdade, incluindo censura à disseminação de informações e conhecimentos.

Inegavelmente, essa questão tem que ser equacionada, pois essas limitações, no plano interno, limitam a evolução das consciências, logo, travam a evolução da sociedade, e, no plano externo, tornam a China um país vulnerável e pouco amigável nas relações internacionais. Sempre haverá a questão da democracia, da censura, das violações dos direitos humanos como ponto negativo para a China nas negociações.

Isso é óbvio. Porém, para um país que tem grande necessidade de mercados e matéria-prima, constitui um sério problema. Em outras palavras, o não alinhamento da China com a comunidade internacional pode, em um futuro próximo, levar a restrições e fechamentos de mercado. Sem mercado externo, a China produzirá para quem ? Produzirá com o quê ? O alto crescimento chinês necessita de muita matéria-prima e de muitos compradores externos.

Essa dependência externa, exige um alinhamento com a comunidade internacional. E alinhamento com a comunidade internacional significa seguir práticas e regras comuns nos demais países. Inclusive, isso se faz necessário para que haja justiça nas transações realizadas, pois um país que produz, para exportação, usando mão-de-obra escrava, não compete em pé de igualdade, no mercado internacional, com um país de trabalhadores livres e bem remunerados.

Nesse sentido, quem produz para o mercado internacional deve ter um sistema de produção que seja justo para os trabalhadores, respeitando direitos e garantias fundamentais. E esse sistema tem que ser uniforme em todos os países que participam do mercado internacional.

As tais cláusulas sociais e ambientais nos acordos e tratados internacionais são extremamente importantes, pois elas possibilitam a uniformização de direitos e garantias nos países que querem participar do mercado internacional, que querem se integrar à comunidade internacional, assim como inibem a destruição ambiental, preservando os interesses das futuras gerações.

 

A Guerra do Afeganistão

Texto antigo -- 2009

 

Dizem que o Obama decidiu enviar mais 30000 soldados para o Afeganistão, para combater a tal milícia Taleban. Contudo, como sempre, é difícil saber o que é verdade e o que é mentira nessa história toda. Inclusive, a tal milícia Taleban pode ser apenas uma construção midiática, assim como a Al Qaeda, o Osama, etc.

Hoje, para a maioria das pessoas, o grande problema é separar aquilo que é real daquilo que é ficção e que foi colocado diante dos seus olhos apenas para desviar a sua atenção ou para justificar ações exigidos por outros interesses. Interesses que, nem sempre, justificariam ação tão grande.

É o caso da Guerra no Afeganistão. Se é que há uma guerra. Ouvimos falar de guerra, porém, as razões para essa guerra, assim como o suposto inimigo que mostram, levanta muitas dúvidas sobre a ação.

Vejam os fatos: os EUA são, supostamente, a maior potência bélica do mundo. E essa potência bélica luta em um país pobre e desértico, país pouco povoado, o Afeganistão, contra uma suposta milícia (Taleban), por causa de um atentado terrorista, causado pela Al Qaeda de Osama Bin Laden, ligado a tal milícia, que derrubou um edifício, nos EUA, em 2001, vitimando milhares de norte-americanos.

Portanto, uma guerra contra uma suposta milícia que está disseminada, dissolvida, no meio da população. Uma guerra apoiada e auxiliada pela OTAN, envolvendo vários países com grande poder bélico. Inegavelmente, é um esforço gigantesco, considerando, que o suposto inimigo são pessoas comuns da população, sem tecnologia bélica, sem treinamento militar avançado, etc.

Além disso, enquanto eles lutam no Afeganistão, as bombas da suposta milícia explodem no Paquistão. Mais do que isso, aplicando a lógica elementar simples, uma milícia dissolvida no meio da população, que não usa farda e nem possui destacamentos, etc, por que estão restritos às fronteiras do pobre Afeganistão ? Se estão restrito ao Afeganistão, por que as bombas e atentados explodem no Paquistão ? E se não possuem comando centralizado, nem destacamento, nem base fixa, por que os soldados dos EUA continuam no Afeganistão ? E por que mais 30000 soldados ?

É difícil encontrar lógica na ação norte-americana e da OTAN no Afeganistão. E a decisão dos EUA de enviar mais 30000 soldados torna a questão ainda mais intrincada. Contudo, uma linha de pensamento é considerar que o Taleban e a Al Qaeda sejam apenas pretexto para a ação e que o inimigo real seja outro.

Continuando nessa linha de pensamento, a pergunta seria: quem é esse inimigo ? Olhando para o mapa-mundi, para o Afeganistão, percebe-se que ele tem a sua maior fronteira com o Irã. Irã que anunciou, recentemente, a construção de mais 10 usinas de enriquecimento de urânio. Logo, se for necessário atacar o Irã, Israel ataca de um lado, e os EUA e a Otan atacam por outro lado.

Além disso, há o temor de que o regime do Irã se espalhe para outras nações, principalmente países com parte da população islâmicas, tais como Paquistão, Índia, etc. Sem contar que o Afeganistão está a um passo da China, da Rússia e da Coréia do Norte.

Enfim, esses outros interesses são mais relevantes, para a presença dos EUA e da Otan no Afeganistão. Certamente, a milícia Taleban, a Al Qaeda, o Osama formam um bom discurso para a ação.

Um outro ponto, que parece fora da reta, mas que pode estar dentro dela, é o fato de existirem, no Afeganistão, estátuas gigantes que foram derrubadas, explodidas, pelos Talebans. Seria interessante dar uma olhada nisso e também na hipótese de que no Afeganistão está sendo travada uma guerra pelo futuro da humanidade.

--------------------------------

Contudo, a suposta ameaça da milícia Taleban e de outros grupos terroristas deve ser combatida pelo fortalecimento do TPI (Tribunal Penal Internacional) e pela criação de uma polícia mundial, assim como de um serviço de inteligência, subordinados ao TPI, para combater crimes transnacionais. Uma polícia e um serviço de inteligência com poderes jurisdicionais em todos os países, podendo entrar no país, realizar investigações e prender criminosos transnacionais, sem se submeterem às autoridades locais.

O dinheiro usado para alimentar a guerra do Afeganistão, assim como outras guerras, deveria ser aplicado no TPI, para fortalecimento desse tribunal, criação desse serviço de inteligência e dessa polícia transnacional. Certamente, essa idéia sairia bem mais barato para os países e seria muito mais eficiente, pois é um serviço contínuo de vigilância e proteção contra os criminosos transnacionais.

Certamente, o grande entrave para a adoção dessa idéia é obter a ratificação e o acordo de todos os países. É sabido que algumas nações usam seus territórios e o princípio da soberania para apoiar e acobertar criminosos transnacionais. Assim, um acordo multilateral entre os países acabaria com essa possibilidade.

Contudo, o ponto principal dessa idéia está no fortalecimento do TPI, na criação de um serviço de inteligência do TPI, na criação de uma polícia transnacional submetida, só e somente só, aos juízes e promotores do TPI. A legitimidade do TPI vem do consenso multilateral, do entendimento e ratificação do acordo por todas as nações.

Portanto, uma nação isolada, por mais poderosa que seja, não conseguiria obter legitimidade para agir como polícia e juiz nos crimes transnacionais, assim como entrar em um país estrangeiro, prender e sair levando para julgamento, criminosos transnacionais. Os EUA tentam fazer isso (os presos de Guantánamo, a extradição dos guerrilheiros e narcos colombianos, etc), porém, são questionados e não alcançam legitimidade internacional nessas ações.

O TPI, por ser um órgão multilateral, tem os requisitos para desenvolver e implementar essa idéia.

--------------------------------

De uma forma ou de outra, as guerras não deveriam existir. Outros mecanismos de solução de controvérsias deveriam ser utilizados. Mecanismos como as negociações diplomáticas, tratados, acordos comerciais, acordos de cooperação e ajuda para o desenvolvimento, etc. Isso quando a discórdia ocorrer entre países.

Além disso, a melhor forma de acabar, definitivamente, com as guerras é seguindo o caminho do multilateralismo. Isso porque as decisões multilaterais são tomadas em conjunto e com base no consenso de todos. Dessa forma, por exemplo, uma decisão de se eliminar todos os arsenais de destruição em massa, seria aplicada em todas as nações.

---------------------

Tudo isso reunido, evidencia que há múltiplos fatores fomentando a guerra do Afeganistão. O discurso comum é a milícia Taleban, o Osama e Al Qaeda, porém, olhando mais de perto se percebe que outros fatores mais forte estão em ação.

Certamente, é preciso buscar as verdadeiras razões que justificam essa guerra para encontrar o caminho da paz. Muitas vidas humanas estão sendo sacrificadas pelos governantes, porém, eles, os governantes que fazem as guerras, estão bem longe do front e da linha de fogo.