Câmara das Reflexões
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Autor: omitido para evitar perseguições.
Este trabalho tem o objetivo de esclarecer sobre
os significados da Câmara de Reflexões, local esse que somos
recolhidos logo após a nossa chegada a Loja, quando temos os nossos
olhos vendados. A Câmara de Reflexões por sua decoração se torna um
ambiente apropriado ao recolhimento e a introspecção, sendo esse um
dos seus principais objetivos, ou seja, fazer com que o candidato
reflita sobre sua vida passada, o momento que está vivendo e sua
nova vida após ser aceito na Maçonaria.
No intuito de reforçar esse momento e marcar essa “passagem” é
solicitado ao candidato que preencha um testamento, fato esse que
caracteriza a morte próxima ou seja, morrer para dar início a uma
nova fase, e esse testamento moral e filosófico que o candidato deve
preencher, que é ao final assinado por ele, contem as seguintes
questões:
• Quais os deveres do Homem para com Deus?
• Quais os deveres do Homem para com a Humanidade?
• Quais os deveres do Homem para com a Pátria?
• Quais os deveres do Homem para com a Família?
• Quais os deveres do Homem para consigo mesmo?
Inicialmente para o candidato esse local pode se mostrar um pouco
assustador, mas após receber a “Luz” e com os ensinamentos que serão
recebidos, percebe então que essa foi uma das principais fases de
sua Iniciação.
Uma iniciação maçonica é uma morte simbólica e um renascimento, ou,
um novo nascimento. Por isso, o candidato fica encerrado durante
algum tempo, num compartimento isolado, como uma caverna, de onde
ele sai, num determinado momento do ritual iniciático, como se
saísse do útero para a luz.
Em Maçonaria , esse compartimento recebe o nome de Câmara de
Reflexões, onde o candidato permanece em meditação, antes de ser
conduzido ao templo, para a cerimônia de iniciação. Tudo nessa
Câmara lembra a morte , a enfermidade da matéria e a eternidade do
espírito. Assim se desconsiderarmos as pequenas diferenças entre os
ritos, uma Câmara contém:
1. Um esqueleto humano, a mostrar que todos ficam reduzidos a mesma
condição, após a morte, sendo, portanto, vãs e fúteis as distinções
feitas em vida.
2. Uma ampulheta, ou relógio de areia, que, por registrar pequenos
espaços de tempo, mostra que a vida é efêmera e deve ser usada na
concretização das grandes obras do espírito humano.
3. Sal, enxofre e mercúrio, os três elementos necessários à grande
Obra da Alquimia – que é a transmutação dos metais inferiores em
ouro, sendo também chamada de Arte Real, graças à lenda segundo a
qual o rei Midas teria recebido, do deus grego Dionísio, o poder de
transformar em ouro tudo o que tocasse. A Grande Obra, para a
alquimia oculta, consiste no constante renascer, para que o iniciado
percorra o caminho do conhecimento e do aperfeiçoamento, até chegar
a comunhão com a divindade. Assim, os metais inferiores simbolizam
as paixões humanas e os vícios, que devem ser combatidos e
transformados em ouro do espírito, que é o objetivo da Grande Obra,
ou Arte Real.
4. Um pedaço de pão de trigo que simboliza o alimento da fertilidade
da terra, fecundada pelo Sol, e uma bilha com água que simboliza o
alimento do espírito, por ser o símbolo da purificação mostrando que
é importante o nutrimento do corpo, sendo o do espírito tão
importante quanto ou até mais.
5. O galo, em posição de canto, saudando a nova aurora, o renascer
do candidato, para uma nova existência com uma ampulheta abaixo com
as palavras - Vigilância e Perseverança.
6. Uma taça de líquido doce e uma de líquido amargo, simbolizando
que a vida é feita de altos e baixos, de bons e maus momentos e que
o homem deve acatar sua sorte, resignadamente.
7. A palavra VITRIOL , que é a sigla de uma máxima alquímica: Visita
Interiore Terrae Rectificando que Invenies Ocultum Lapidem ( Visitar
o interior da Terra e, seguindo em linha reta, encontrarás a pedra
oculta), a qual alude a procura da pedra filosofal da Alquimia. Para
a alquimia mística, porém, a frase é um convite a introspecção, à
procura do eu interior, como a expressão inscrita
no frontispício do templo de Apolo, em Delfos: Nosce te ipsum (
Conhece-te a ti mesmo).
8. Sobre as paredes deve haver, em caracteres legíveis, as
inscrições que seguem:
Se a curiosidade aqui te conduz, retira-te.
Se queres bem empregar a tua vida, pensa na morte.
Se tens receio que se descubram os teus defeitos, não estarás bem
entre nós.
Se és apegado às distinções mundanas, retira-te; nós aqui, não as
conhecemos.
Se fores dissimulado, serás descoberto.
Se tens medo, não vás adiante.
Esse renascer constante, a partir da morte simbólica, associado a
toda escalada iniciática , no caminho que vai das trevas à luz, pode
ser assimilado às sucessivas mortes e ressurreições da natureza,
mostrada pelo ciclo imutável dos vegetais, em todos os anos. E esse
ciclo é mostrado pelos signos zodiacais, que simbolizam todo o
aperfeiçoamento do candidato, desde que ele é encerrado na Câmara de
Reflexão, até que, como iniciado, ele percorre o caminho do
conhecimento, que o leva à visão da Luz total, simbolizada pelo Sol,
no Oriente.
Os signos zodiacais relacionados com o grau de Aprendiz Maçom são:
Áries, Touro, Gêmeos, Câncer, Leão e Virgem; relacionado com o grau
de Companheiro Maçom , está o signo de Libra; e os inerentes ao grau
de Mestre Maçom são os signos de Escorpião, Sagitário, Capricórnio,
Aquário e Peixes.
Bibliografia:
Assis Carvalho - Caderno de estudos maçônicos (O Aprendiz Maçom Grau
1)
José Castellani - Maçonaria e Astrologia
José Castellani - O Grau de Aprendiz Maçom
Rizzardo da Camino - O Aprendiz Maçom
Edição 1999 - Ritual do Grau de Aprendiz