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Precisamos de unidade, comando centralizado e focalizar nos objetivos |
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Leonildo Correa - Faculdade de Direito
Ocupação da Reitoria da USP
Acabei de sair da Assembléia de ocupação e estou preocupado. A
unidade do movimento está se quebrando. Os objetivos estão se
perdendo e as intrigas pessoais estão aparecendo. Enfim, estamos
chegando num ponto crítico do movimento e se não centralizarmos o
comando e reduzirmos as fragmentações os grupos dominantes da USP
irão vencer. Inclusive acho que a estratégia da USP é justamente
esta: esperar o cansaço dos alunos e investir na intrigas pessoais.
Outro ponto preocupante é o fato de reunir Assembléia para qualquer
coisa. Quero ir no banheiro - chama uma Assembléia. Quero beber água
- chama uma Assembléia, etc. Companheiros, existem coisas que não
precisam ser levada para Assembléia. Existem coisas que são óbvias,
são lógicas, que temos que fazer independentemente de Assembléia
para segurar o movimento e garantir a ocupação. Temos que fazer com
que todos ajam uniformemente, apontando para os objetivos
estabelecidos
Além disso, precisamos de um comando centralizado que analise todos
os pontos do movimento e proponha saídas rápidas. Dentro desse
comando alguém deve permanecer em contato direto com os demais
alunos dizendo o que deverá ser levado discutido em Assembléia. Se a
todo momento tudo parar e virar uma discussão sem fim, não
chegaremos a lugar nenhum. A reitoria está investindo nisso.
Nossos adversários atuam de forma centralizada. Sentam e discutem
seus ataques. Montam suas estratégias e armadilhas e estão correndo
na dianteira, pois tem os outros integrantes dos grupos dominantes
(gente da pesada), assim como as mídias, defendendo suas posições e
atacando o movimento de ocupação. Eles atuam uniformemente, enquanto
nós fazemos Assembléias que estão levando a uma perda de foco.
A carta do vice-reitor é uma indicação clara de que a tendência é
não ceder e investir no esvaziamento do movimento. Temos que reagir
a isso centralizando o comando do movimento e nos preparando para um
conflito com as forças de opressão. Não teremos tempo para fazer
Assembléias quando a polícia bater na porta para invadir. A polícia
vai atacar com violência e vão começar jogando bombas dentro do
prédio, etc.
Portanto, eu proponho a formação de um grupo de comando que assuma o
controle do movimento e outorgue competências para comissões
específicas e que somente as questões de extrema relevância seja
levada à Assembléia. Algumas comissões já existem, mas podemos criar
outras, sendo as comissões soberanas nos assuntos para os quais
foram criadas.
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Comissões da Ocupação
Ao invés de discutir todos os temas em Assembléia, é mais fácil
discutir os temas no âmbito das comissões. E cada comissão tem que
ser soberana nos assuntos que controla, somente levando questões
relevantíssimas para discussões na Assembléia. Algumas comissões
outras precisam ser criadas e devem começar a trabalhar
imediatamente.
Assim, precisamos das seguintes comissões:
1) Negociação - negocia com os opressores;
2) Comunicação - Dissemina o movimento e busca apoio;
3) Impressão - Cuida da impressão dos materiais necessários;
4) Segurança - zela pela integridade do prédio e monitora as
entradas e saídas
5) Alimentação - Cuida da comida;
6) Espionagem - monitora a movimentação da guarda universitária, a
entrada de policiais no Campus e as ações da procuradoria da USP na
justiça;
7) Resistência - cuida das respostas para o caso de uma ação
policial contra o movimento de ocupação.
Se cada uma dessas comissões funcionarem perfeitamente alcançaremos
nosso objetivo. Mas cada membro tem que dar o sangue pela comissão.
Sem dispersão e sem intrigas pessoais.